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Navios usados… outra vez

Como é habitual, o discurso do chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) no Dia da Marinha passou despercebido, mas este ano havia uma novidade de monta: como já tinha calculado aqui, a Marinha está à procura de navios em segunda mão para uma possível substituição das corvetas das classes Baptista de Andrade e João Coutinho, e dos patrulhas da classe Cacine.
Todas estas embarcações têm mais de 40 anos, ou muito perto disso, e só a incrível capacidade das Forças Armadas Portuguesas de fazer durar para além do tempo adequado o seu equipamento permite que elas ainda naveguem sem grandes percalços. Estes navios já deviam ter sido todos substituídos pelos Patrulhas Oceânicos, mas só se construíram dois, e não é previsível que o programa seja retomado.
Bem, mas o que é demais é demais e, por isso, o CEMA afirmou ” a curto prazo é imperioso substituir os meios que estão no fim da sua vida operacional, retomando os programas de reequipamento da esquadra, designadamente, a construção dos Navios de Patrulha Oceânica e das Lanchas de Fiscalização Costeira. Porém, como é sabido, a construção naval é lenta e dispendiosa e por isso também equacionamos a eventual aquisição de navios usados, que nos garantam 10 a 15 anos de operação, e assim suprir a lacuna de meios até que as novas construções estejam prontas”.

Se, e quando, isto vai acontecer é outra história, mas, para já, aceitam-se sugestões. Alguém tem ideia de que navios em segunda mão a Marinha possa comprar? 

 

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Incêndio na Baptista de Andrade

Corveta Baptista de Andrade (Marinha Portuguesa)
Foto: Departamento de Defesa dos EUA

A corveta Baptista de Andrade, da Marinha Portuguesa, teve um incêndio a bordo na última madrugada. O fogo deflagrou na casa das máquinas, uma zona vital do navio, mas foi controlado em meia-hora, segundo a Armada. A Baptista de Andrade pôde prosseguir pelos seus próprios meios para Sines, onde oito marinheiros foram levados para o hospital, devido a intoxicações. Todos eles tiveram alta esta manhã.

Não há nenhum dado que nos permita concluir que este acidente está relacionado com a idade provecta do navio (38 anos), até porque a Marinha tem um excelente registo de segurança, mas também não vale a pena esconder o óbvio: as corvetas das classes Baptista de Andrade e João Coutinho já não deviam estar ao serviço. Para além de serem obsoletas, exigem recursos humanos e materiais desproporcionados às missões para as quais estão destacadas (patrulha e busca e salvamento).

Nesta altura, as sete embarcações já deviam ter sido substituídas pelos famigerados navios de patrulha oceânica (NPO), mas esse programa de reequipamento está parado e não se prevê se e quando será retomado. Tema para outro post.