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TAP Manutenção poderá converter dois Boeing 767 para a FAB

KC-767 (Fonte: たーなー, via Wikipedia japonesa)

A TAP Manutenção e Engenharia – Brasil prepara-se para converter dois Boeing 767 300ERs em aviões reabastecedores para a Força Aérea Brasileira (FAB).

A encomenda será realizada em regime de subcontratação, ao serviço da Israel Aerospace Industries (IAI). Esta empresa israelita tem um acordo de princípio para a venda de três KC-767 à FAB, faltando agora finalizar os termos do contrato.

O terceiro avião será convertido em Israel.

Recorde-se que a TAP Manutenção e Engenharia – Brasil tem estado envolvida em polémica desde que passou para as mãos da TAP, em 2005 (chamava-se então VEM), já que a sua aquisição pela companhia aérea portuguesa tem sido muitas vezes apontada como um negócio ruinoso, que sobrecarregou a TAP com dívida. O governo português diz agora que a TAP Manutenção e Engenharia – Brasil vai equilibrar as contas em 2015.

Para além trabalhar na área civil, a empresa conseguiu vários contratos militares, entre os quais está a manutenção dos caças F-5 da Força Aérea Brasileira.

Comunicações (in)seguras

Parece que a presidenta Dilma (sigo o estilo preferido pela própria) continua zangada com a espionagem norte-americana às comunicações brasileiras. Por isso, o Brasil chegou na segunda-feira passada a acordo com a União Europeia para a colocação de um novo cabo submarino que o ligue à Europa. Só assim, diz Dilma, se pode “garantir a neutralidade” da Internet.

Por estranho que possa parecer, o Brasil depende quase totalmente de cabos norte-americanos para garantir as suas comunicações com a Europa. A ligação directa que existe está, pelos vistos, ultrapassada e serve apenas para comunicações telefónicas.

Bem, se Dilma pretende fugir ao controlo da NSA, talvez seja melhor pensar duas vezes. Diversificar redes é sempre bom, mas se espera ter mais segurança do lado europeu, talvez esteja a iludir-se. O novo cabo vai ter Lisboa como ponto de amarração europeu, e é bem sabido que Portugal é um dos locais onde a NSA faz a sua intercepção global de comunicações. Pelo menos é o que nos diz mais um dos documentos secretos da agência que foram divulgados por Edward Snowden nos últimos meses.

Este mapa mostra que Portugal tem três estações de amarração: Lisboa, Seixal e Sesimbra. O slide da NSA não deixa claro em que ponto exacto do território português se situa o posto de intercepção da agência norte-americana, mas, dada a natureza fechada das comunicações por cabo, o lógico é que a NSA tenha acesso a todas as estações. Se ele é consentido pelo governo português ou clandestino, é outra conversa, embora eu esteja inclinado para a primeira hipótese. Por alguma coisa Portugal está no segundo grupo de países em que os EUA mais confiam no que diz respeito ao acesso e à troca de comunicações/informações.

É claro que basta olhar para o mapa mundial dos cabos submarinos para perceber que o Brasil não tem muitas alternativas a Portugal para a sua ligação transatlântica. Todos os outros cabos vão ter a um de dois países: Grã-Bretanha e Espanha. Como é fácil de calcular, ambos têm também “orelhas” da NSA aí instaladas, e por muitos protestos públicos que haja, não se prevê que isso mude.

Moral da história: a geografia é tramada e a NSA está em todo o lado.

Nova fábrica de material aeronáutico

 

Foi assinado hoje o contrato para a criação de uma fábrica de componentes aeronáuticos em Ovar e em Gaia. O projecto resulta de uma parceria entre a Airbus Military e o Grupo Salvador Caetano e envolve um investimento de 75 milhões de euros. O ministro da Economia estima que a nova fábrica vá criar 800 empregos directos e indirectos. Este acordo resulta da renegociação das contrapartidas pela venda a Portugal de 12 aviões C-295M, acordada em 2006.

Caso este projecto vingue (e o facto de ser levado a cabo por uma empresa importante, como a Salvador Caetano, dá boas garantias disso), Portugal ficará bem mais perto de ter uma indústria aeronáutica significativa. As fábricas da EMBRAER em Évora, que deverão começar a produzir em Setembro, e a participação no programa do avião de transporte brasileiro KC-390 (também da EMBRAER), são os outros pilares desta expansão. A isto acresce o trabalho de décadas das OGMA e de outras empresas mais pequenas.

 

Como vai, Brasil?

Imagem: /laobc

A Foreign Affairs publicou várias respostas a um artigo de Ruchir Sharma que defende que o momento alto do Brasil está a chegar ao fim, uma vez que o crescimento económico brasileiro é excessivamente dependente do preço das matérias-primas e dos produtos agrícolas que o país produz.

Este debate é importante para Portugal, porque o crescimento brasileiro tem ajudado a nossa economia a modernizar-se por via do investimento externo que temos ali realizado, mas também para o Mundo em geral. Com as economias europeias e norte-americana a atravessarem uma fase tão difícil, em que têm de reduzir drasticamente o seu vício da dívida, é essencial que haja alguns países ou regiões onde a classe média esteja em expansão e a consumir mais. Caso contrário, entraremos mesmo numa depressão global, e então, parafraseando o nosso primeiro-ministro, a porcaria chegará mesmo à ventoinha. Para todos.