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They’re back…

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De mansinho, sem que se tenha notado por aí além, os Estados Unidos estão a reforçar a sua presença militar na Europa. Mais significativamente, estão a reforçar a sua presença blindada na Europa.

Este gráfico da Statista mostra que o número de carros de combate e viaturas blindadas ainda não é nada por aí além, mas o que importa aqui referir é que, até há poucos meses, ele estava reduzido a zero, ou quase.

Com o pivot estratégico dos EUA para a Ásia, a Europa estava a tornar-se num cenário secundário para Washington – e nós, portugueses, bem o sabemos, por causa do esvaziamento da base das Lajes -, mas agora as prioridades estão a alterar-se novamente.

O que explica esta marcha-atrás?

A Rússia, claro. A invasão da Ucrânia, o envio de forças para a Síria (que é como quem diz, para o Mediterrâneo) e a posição cada vez mais agressiva que Moscovo (muitas vezes por meios encobertos, outras nem tanto assim) vai tendo relativamente aos países bálticos e aos outros estados europeus que estão na sua fronteira europeia, fez tocar as campainhas de alarme no Pentágono e na Casa Branca.

E Trump? O seu “caso” com Putin irá levá-lo a pôr fim a esta “flexão de músculos” na fronteira leste da NATO?

Duvido. Especialmente agora que se confirma que o novo presidente teve uma “mãozinha” de Moscovo para chegar à Casa Branca. Para não se expor a mais críticas, e mesmo a eventuais tentativas de impugnação, Donald Trump terá de mostrar mais distanciamento relativamente à Rússia do aquele que tem tido até agora.

A não ser que Putin ofereça algo que os EUA tenham muita dificuldade em recusar…

 

 

Ucrânia à beira do precipício II

Urso russo em versão japonesa (1900)

O melhor cenário antecipado no meu último post sobre a Ucrânia concretizou-se. As Forças Armadas não aceitaram exterminar a oposição na Praça Maidan e o presidente Yanukovich foi obrigado a fugir. Se o novo governo não lhe deitar a mão antes, um destes dias aparecerá na Rússia, se é que já não está lá.

Agora começa a luta pela sobrevivência da Ucrânia tal como existe hoje. Como os últimos resultados eleitorais demonstraram, o país está dividido ao meio: de um lado, no oeste do país, a população de língua e cultura ucraniana propriamente dita, que apoia as forças da oposição; do outro, no leste, a população de língua e cultura russa, que está do lado de Yanukovich (ou, pelo menos, de uma relação preferencial com a Rússia).

Yanukovich até pode ir parar à cadeia (ou algo pior), mas o problema de base mantém-se: a Ucrânia é um país dilacerado pela atracção de dois pólos muito poderosos nas suas fronteiras: o Ocidente e a Rússia. É preciso não esquecer que a Ucrânia independente é uma criação do século XX. A História diz-nos que esteve quase sempre dividida por dois grandes impérios: o russo e o austro-húngaro. O segundo desapareceu em 1918, mas o primeiro sobrevive mal disfarçado na Rússia de Vladimir Putin. Estamos, por isso, a assistir a uma luta titânica pela reformulação do equilíbrio de poderes na Europa.

O “urso” já esteve bem mais gordo, mas, com o Ocidente enfraquecido, há certos riscos que Putin se pode dar ao luxo de correr – e ele já mostrou na Geórgia que é um jogador muito ousado.