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Nova violação do cessar-fogo na Ucrânia

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O aeroporto de Donetsk, no leste da Ucrânia, voltou a fazer jus ao seu estatuto de alvo principal das forças em confronto naquele país.

Imagens obtidas pela agência de notícias Reuters mostram um intenso combate entre forças rebeldes e tropas governamentais, que começa com uma explosão de uma granada de artilharia, seguida de uma troca de fogo de armas automáticas. Mais tarde, um carro de combate e um veículo blindado juntam-se à refrega, disparando em apoio dos separatistas.

Não se sabe se este combate no aeroporto causou vítimas, mas uma coisa é certa: o cessar-fogo acordado em Minsk, na Bielorrússia, em fevereiro, é cada vez mais uma ficção.

A zona de Donetsk, em especial, tem sido palco de confrontos quase diários. Na quarta e na quinta-feira, por exemplo, morreram três civis e dois soldados fiéis ao governo de Kiev.

É por tudo isto que os observadores internacionais temem cada vez mais um recrudescimento do conflito, que estilhace de uma vez por todas o acordo de Minsk.

http://www.tvi24.iol.pt/internacional/donetsk/nova-violacao-do-cessar-fogo-na-ucrania

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Rússia e Ucrânia: entrevistas a Fogh Rasmussen e Kasparov

Na quinta-feira passada, entrevistei Garry Kasparov, um dos principais lideres da Oposição russa, e Anders Fogh Rasmussen, ex-secretário-geral da NATO, aquando da sua passagem pelas Conferências do Estoril. Aqui ficam alguns excertos dessas conversas, no que à Rússia e à Ucrânia dizem respeito.

Russos na Ucrânia

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Fonte: RUSI

Ucrânia à beira do precipício IV

Uma nota curta só para fazer duas recomendações: a excelente síntese do imbróglio ucraniano no CIMSEC e as fantásticas infografias do blogue Contemporary Issues & Geography.

Mapa CrimeiaFonte: http://www.cigeography.blogspot.com/

Ucrânia à beira do precipício III

Ninguém acredita na história de que os aeroportos da Crimeia foram tomados por “milicianos” ucranianos, certo?

Calculo que pelo menos parte dos ditos “milicianos” chegou nos helicópteros que surgem neste vídeo:

(Fonte: The Aviationist)

Ainda não há confirmação de que os MI-24 e MI-8 russos que se vêem nas imagens estão mesmo a entrar no espaço aéreo ucraniano, mas creio que arrisco muito pouco ao dizer que as imagens mostram exactamente isso.

Com esta jogada, a Rússia lança dois avisos: primeiro, que nunca permitirá que o seu acesso ao mar Negro e ao Mediterrâneo, através do porto de Sebastopol, seja posto em causa por qualquer governo ucraniano; segundo, que o novo poder em Kiev não conseguirá escapar à órbita russa assim tão facilmente.

Ainda não é claro se os primeiros arroubos separatistas na Crimeia significam que Moscovo aposta mesmo em mutilar a Ucrânia, mas essa é uma hipótese séria – e muito perigosa.

Ucrânia à beira do precipício II

Urso russo em versão japonesa (1900)

O melhor cenário antecipado no meu último post sobre a Ucrânia concretizou-se. As Forças Armadas não aceitaram exterminar a oposição na Praça Maidan e o presidente Yanukovich foi obrigado a fugir. Se o novo governo não lhe deitar a mão antes, um destes dias aparecerá na Rússia, se é que já não está lá.

Agora começa a luta pela sobrevivência da Ucrânia tal como existe hoje. Como os últimos resultados eleitorais demonstraram, o país está dividido ao meio: de um lado, no oeste do país, a população de língua e cultura ucraniana propriamente dita, que apoia as forças da oposição; do outro, no leste, a população de língua e cultura russa, que está do lado de Yanukovich (ou, pelo menos, de uma relação preferencial com a Rússia).

Yanukovich até pode ir parar à cadeia (ou algo pior), mas o problema de base mantém-se: a Ucrânia é um país dilacerado pela atracção de dois pólos muito poderosos nas suas fronteiras: o Ocidente e a Rússia. É preciso não esquecer que a Ucrânia independente é uma criação do século XX. A História diz-nos que esteve quase sempre dividida por dois grandes impérios: o russo e o austro-húngaro. O segundo desapareceu em 1918, mas o primeiro sobrevive mal disfarçado na Rússia de Vladimir Putin. Estamos, por isso, a assistir a uma luta titânica pela reformulação do equilíbrio de poderes na Europa.

O “urso” já esteve bem mais gordo, mas, com o Ocidente enfraquecido, há certos riscos que Putin se pode dar ao luxo de correr – e ele já mostrou na Geórgia que é um jogador muito ousado.

Ucrânia à beira do precipício

Espero estar enganado, mas hoje, em Kiev, é muito provável que haja uma matança.

As últimas notícias indicam que o Governo se prepara para lançar o Exército contra a população. O presidente dos EUA, Barack Obama, apressou-se a avisar que “os militares não devem intervir numa situação que deve ser resolvida por civis”. As pressões internacionais são cada vez mais fortes, mas não parecem ser suficientes para travar a escalada.

Yanukovich não tem espaço de manobra: ele sabe que, agora, só a sua saída da presidência poderá apaziguar os ânimos. Face ao que se passou nos últimos dias, deixar o cargo significaria uma de duas coisas: exílio ou prisão. Perante isto, ele tentará prevalecer pela força – isto se as Forças Armadas o deixarem.