They’re back…

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De mansinho, sem que se tenha notado por aí além, os Estados Unidos estão a reforçar a sua presença militar na Europa. Mais significativamente, estão a reforçar a sua presença blindada na Europa.

Este gráfico da Statista mostra que o número de carros de combate e viaturas blindadas ainda não é nada por aí além, mas o que importa aqui referir é que, até há poucos meses, ele estava reduzido a zero, ou quase.

Com o pivot estratégico dos EUA para a Ásia, a Europa estava a tornar-se num cenário secundário para Washington – e nós, portugueses, bem o sabemos, por causa do esvaziamento da base das Lajes -, mas agora as prioridades estão a alterar-se novamente.

O que explica esta marcha-atrás?

A Rússia, claro. A invasão da Ucrânia, o envio de forças para a Síria (que é como quem diz, para o Mediterrâneo) e a posição cada vez mais agressiva que Moscovo (muitas vezes por meios encobertos, outras nem tanto assim) vai tendo relativamente aos países bálticos e aos outros estados europeus que estão na sua fronteira europeia, fez tocar as campainhas de alarme no Pentágono e na Casa Branca.

E Trump? O seu “caso” com Putin irá levá-lo a pôr fim a esta “flexão de músculos” na fronteira leste da NATO?

Duvido. Especialmente agora que se confirma que o novo presidente teve uma “mãozinha” de Moscovo para chegar à Casa Branca. Para não se expor a mais críticas, e mesmo a eventuais tentativas de impugnação, Donald Trump terá de mostrar mais distanciamento relativamente à Rússia do aquele que tem tido até agora.

A não ser que Putin ofereça algo que os EUA tenham muita dificuldade em recusar…

 

 

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Anuário de 2016 do CEID

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Ano novo, publicações novas – e mais frequentes (espero).

Tal como aconteceu há um ano, tive agora a oportunidade de publicar um artigo no anuário do Centro de Estudios Internacionales para el Desarrollo (CEID), de Buenos Aires, na Argentina.

Desta vez, a propósito do centenário da I Guerra Mundial, escrevi sobre a influência que a comunicação social tem tido na forma como a Guerra tem sido encarada no Ocidente ao longo dos últimos 150 anos.

Antecipando um pouco daquilo que podem ler a partir da página 127 do anuário, a minha ideia-chave é que o jornalismo deu um contributo decisivo para que seja muito difícil, senão impossível, às democracias modernas triunfarem em conflitos armados prolongados.

O anuário tem muita coisa interessante para ler, especialmente porque apresenta uma perspectiva sul-americana dos grandes acontecimentos internacionais, que só ocasionalmente aparece nos debates portugueses e europeus.

O “Anuário 2016” do CEID pode ser descarregado gratuitamente aqui: ceid-anuario-2016

Estado Islâmico

O Estado Islâmico (EI) é uma daquelas coisas de que muito se fala e escreve, mas de que é difícil dizer algo verdadeiramente esclarecedor. O secretismo do grupo –  a propaganda, para estas coisas, não conta – e a distância enorme que separa a mentalidade de um ocidental comum da de extremistas islâmicos ou baathistas capazes das maiores atrocidades, tornam muito difícil fazer uma análise consequente do EI.

O jornalista da BBC Andrew Hosken, no seu livro “Império do Medo – No Interior do Estado Islâmico”, conseguiu traçar um retrato muito completo da história do EI, desde as suas origens obscuras até à atualidade, e tem o mérito de desmentir algumas ideias feitas que existem sobre a organização, nomeadamente no que diz respeito ao seu relacionamento com a Al-Qaeda.

Há poucos dias entrevistei Andrew Hosken para a TVI e esse trabalho pode ser visto aqui.

China: uma crise que ameaça o mundo

A China enfrenta um dos maiores desafios dos últimos 40 anos – tão grande que talvez só possa ser comparado à própria abertura à economia de mercado iniciada nos anos 80. A economia chinesa está a arrefecer, mas esse nem é o principal medo. Pior, muito pior, é o que está escondido nos balanços dos bancos. Do que ali estiver, o Mundo não deixará de sofrer consequências.

Cidades inteiras construídas de raiz graças ao financiamento bancário, mas com poucos ou nenhuns habitantes. Empréstimos gigantescos concedidos a “amigos” do Partido Comunista Chinês que nunca são pagos. Crédito malparado que nunca chega a ver a luz do dia, porque os padrões de contabilidade são extremamente “criativos”.

Estes são apenas alguns exemplos do muito que se passa na China que está a deixar os responsáveis económicos e financeiros mundiais extremamente preocupados.

A razão de tudo isto explica-se facilmente: a obsessão do governo em manter altas taxas de crescimento e criação de emprego, de modo a que o país tenha estabilidade social e política e o regime comunista não seja posto em causa.

Para as autoridades de Pequim, qualquer crescimento da riqueza nacional que fique abaixo dos 7% ao ano é considerado preocupante, porque isso significa que não haverá empregos suficientes nas cidades para a grande massa de trabalhadores que, todos os anos, abandona os campos em busca de uma vida melhor.

Sem uma situação de pleno emprego, ou algo perto disso, e sem a rede de proteção social que existe nos países mais desenvolvidos, a China corre sérios riscos de entrar num período de agitação com consequências imprevisíveis.

Antes da grande crise financeira de 2008, a enorme capacidade exportadora do país garantia a infusão de capital necessária para que o motor económico da China continuasse a trabalhar em alta rotação. Com a crise, a procura externa para os produtos industriais chineses sofreu uma quebra e o governo viu-se forçado a abrir as torneiras do crédito para manter o crescimento económico nos níveis desejados.

Como o nível de endividamento público e privado nessa altura não era muito elevado, não se esperava que essa política tivesse consequências negativas. O problema foi que a crise mundial se revelou muito mais grave e prolongada do que se pensava inicialmente, o que levou a uma acumulação de dívida gigantesca: no final de 2015, correspondia a 240% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, quase duas vezes e meia mais do que aquilo que o país produz num ano inteiro.

Quase toda esta dívida é interna, o que facilita muito a tarefa do governo em geri-la, mas, ao mesmo tempo, cria obstáculos à sua redução devido aos interesses e poderes envolvidos. Ao longo dos anos, houve muito crédito que foi concedido em função de critérios políticos, ou até por pura corrupção. São bem conhecidos os casos de empréstimos dados por ordem expressa do Partido, que, sabia-se à partida, nunca seriam pagos.

Muitos dos casos de crédito malparado envolvem empresas públicas (devedoras) e bancos também públicos (credores), o que significa que, em grande medida, o problema se circunscreve ao próprio Estado, o que é um claro incentivo para que as dívidas sejam atiradas para “debaixo do tapete”.

Mesmo assim, tal como estão as coisas, mais tarde ou mais cedo uma de duas coisas terá de acontecer: ou os devedores começam a amortizar o que devem, ou os bancos serão obrigados a classificar esses empréstimos como incobráveis, o que lhes trará grandes prejuízos.

Este cenário é muito perigoso porque a China, sob a liderança do presidente Xi Jinping, está a encetar uma reconfiguração económica extremamente complexa que exige que o seu sistema bancário esteja em boa forma.

Ciente de que a procura externa não pode continuar a impulsionar o crescimento do país – com crise mundial ou sem ela -, o Partido Comunista decidiu que o consumo interno terá de assumir um peso muito maior na produção de riqueza.

Dado que os salários são ainda muito baixos em quase todo o país, o crédito particular tem um papel muito importante nesse processo. Ora, se a banca estiver a braços com prejuízos elevados causados pelo crédito malparado no sector empresarial, é fácil perceber que dificilmente haverá a disponibilidade necessária para emprestar dinheiro às famílias para que estas comprem casas, carros e electrodomésticos.

Assim, a curto prazo, a China poderá estar a braços com uma dupla retração: a da procura externa, através das suas exportações, e da procura interna, devida à necessidade de os bancos limparem os seus balanços e de as empresas pagarem o que devem.

Mas em que é que tudo isto afeta o resto do mundo, perguntará o comum dos mortais?

A resposta é simples: afeta em muito.

Durante mais de 2500 anos, a Grande Muralha da China protegeu o Império do Meio das ameaças externas, mas também fez o inverso. Apesar de ser a mais rica e desenvolvida civilização do planeta, o contacto da China com o resto do mundo era muito limitado – e era-o por opção dos seus governantes, que entendiam ter pouco ou nada a ganhar com essas trocas, dado o avanço de que os chineses usufruíam sobre os outros povos.

Essa política teve consequências funestas para o país, com o Ocidente a assumir a primazia mundial a partir do século XVI e a relegá-lo para uma posição de humilhante subalternidade que só terminou após a II Guerra Mundial.

Mesmo assim, os primeiros 30 anos da República Popular da China estiveram repletos de enormes fracassos, especialmente ao nível económico. Só com a subida do poder de Deng Xiaoping, em 1978, é que a China encetou o caminho da liberalização e abertura económica que lhe poderia dar o estatuto condizente com a sua posição de país mais populoso do Mundo.

Isso significou que, pela primeira vez na sua história, a China começou a integrar-se nos fluxos comerciais e financeiros mundiais. Essa integração ainda não é total, dado o peso enorme que o Estado tem na economia e os muitos limites que há à presença estrangeira no país, mas ela está a avançar a um ritmo acelerado – basta ver os vultuosos investimentos chineses em Portugal nos últimos anos.

Tudo isto quer dizer que, se a China entrar numa crise económica e financeira causada pelos seus problemas de endividamento, ninguém ficará imune. No século XXI,  já não há nenhuma Grande Muralha que proteja o resto do mundo do que se passa no país mais populoso do planeta.

 

Este artigo foi publicado com pequenas alterações no número de Abril da revista “Família Cristã”.

A grande guerra islâmica

A Síria está a ser dilacerada por várias guerras. A primeira, e mais óbvia, é aquela que se trava pelo controlo do país, entre o governo e os rebeldes, mas há outras mais importantes a longo prazo. Uma delas envolve o Irão e a Arábia Saudita, que lutam pela primazia no mundo islâmico; outra, diretamente relacionada com esta, é a guerra milenar que opõe xiitas a sunitas.

A guerra civil na Síria começou em 2011, com uma revolta popular contra a ditadura do Partido Baath, que dominava o país há mais de 50 anos. De início, a rebelião parecia genuinamente nacional, atravessando quase todas as divisões étnicas e religiosas, mas foi preciso pouco tempo para se perceber que essa imagem era ilusória.

No final de 2012, já era notório que o conflito se tinha tornado claramente sectário: de um lado os xiitas (entre os quais estão os alauítas, a minoria a que pertence o presidente Bashar Al-Assad), que apoiavam o governo; do outro, os sunitas, que procuravam derrubá-lo.

Foi neste contexto que a guerra civil na Síria se internacionalizou. O governo de Assad, que há décadas era apoiado pelo Irão xiita, continuou a ter esse apoio, e mais reforçado. Hoje, boa parte do poderio militar do regime assenta na acção dos conselheiros militares iranianos e dos milicianos do Hezbollah, o partido xiita libanês que é suportado pelo Irão, que combatem ao lado das forças governamentais.

Do outro lado, os inúmeros grupos rebeldes sunitas são apoiados, em maior ou menor grau, pelas monarquias árabes, das quais a mais importante é a Arábia Saudita. Essas monarquias partilham a mesma versão estrita do islamismo sunita, o wahhabismo, que inspirou duas organizações extremistas que também participam na guerra civil síria: o Estado Islâmico e a Al-Qaeda.

O fundamentalismo islâmico wahhabita surgiu nos confins da Península Arábica no século XVIII e caracteriza-se pela sua intolerância face a todas as outras crenças religiosas, incluindo mesmo as que fazem parte do islamismo. Os wahhabitas mais extremistas reservam um especial desprezo para os xiitas, que são o mais importante ramo minoritário do Islão, com dez a vinte por cento de todos os crentes. Os xiitas são maioritários em apenas quatro países do mundo: Irão, Iraque, Bahrain e Azerbeijão.

A ascensão do sunismo wahhabita e da família Saud estão absolutamente interligadas, mas só nos últimos 35 anos é que a casa real exportou essa ideologia religiosa para todo mundo islâmico, e não só. Essa decisão foi a resposta saudita a três acontecimentos do ano de 1979: a Revolução Iraniana, a invasão do Afeganistão pela União Soviética e a tomada da Grande Mesquita de Meca, o lugar mais santo do Islão, por um grupo de extremistas sunitas que queriam derrubar a família real, e que só foram derrotados ao fim de duas semanas de combates ferozes.

Esses três acontecimentos convenceram os Saud que o seu domínio do país estava em sério risco e que a sua resposta teria de passar pelo reforço da sua legitimidade religiosa, enquanto guardiães da pureza da religião muçulmana e dos lugares santos de Meca e Medina.

Por isso, internamente, o governo tratou de impôr à população uma versão cada vez mais estrita do fundamentalismo wahhabita, ao mesmo tempo que, externamente, tratou de a exportar através do financiamento de grupos e entidades religiosas.

O que aconteceu nas décadas seguintes é bem conhecido: os clérigos wahhabitas mais extremistas propagandearam uma visão cada vez mais extremista e violenta da sua fé, e muitas vezes organizaram grupos armados para a levar à prática. Os seus principais inimigos eram os ocidentais, os judeus e, principalmente, os xiitas, que são, de longe, o grupo mais numeroso das suas vítimas.

Esta disseminação do fundamentalismo sunita procurou contrabalançar a expansão do fundamentalismo xiita lançada pelo Irão, sob o comando do ayatollah Khomeini. Tal como o wahhabismo, a versão do islamismo proposta pelo líder iraniano acentuava a necessidade do regresso à pureza inicial dos ensinamentos de Maomé, mas depois divergia em dois aspectos fundamentais: onde os wahhabitas apelavam à guerra contra os xiitas, por estes serem apóstatas, Khomeini e os seus seguidores defendiam a união das duas facções; onde os sunitas aceitavam a subordinação do poder religioso ao poder político, os xiitas iranianos punham o poder religioso à frente do poder político. No Irão, o ayatollah Khomeini era o Líder Supremo, cujo poder ultrapassava o do próprio Presidente da República, e assim continua a ser com os seus sucessores.

Como é fácil de calcular, isto era inaceitável para a família real saudita. A doutrina de Khomeini não só implicava a destruição do seu governo, como a de todos os outros da região, uma vez que nenhum deles tinha uma liderança religiosa.

Para os sauditas, havia ainda uma ameaça a interna a ter em consideração: dentro das suas fronteiras, existe uma minoria xiita significativa, e muito discriminada, que ainda por cima habita as principais zonas produtoras de petróleo do país. O medo de uma potencial agitação dessa minoria, incitada pelo Irão, é um factor sempre presente nas relações entre os dois países.

A juntar a tudo isto temos ainda a divergência na relação com os Estados Unidos. Apesar de a grande maioria da opinião pública árabe ser hostil aos EUA, devido ao seu apoio a Israel, a Arábia Saudita mantém uma aliança antiga e forte com os norte-americanos. Já o Irão revolucionário´adoptou uma posição exactamente oposta, uma vez que o governo de Washington era o grande sustentáculo do anterior regime, liderado pelo Xá Reza Pahlavi.

Para o ayatollah Khomeini, os Estados Unidos eram o “Grande Satã” e, por isso, o seu governo combateu os interesses norte-americanos em todo o mundo, recorrendo mesmo ao terrorismo. O sequestro, pouco depois da Revolução Islâmica, de dezenas de diplomatas norte-americanos que trabalhavam na embaixada dos EUA em Teerão foi um dos acontecimentos mais humilhantes da história norte-americana das últimas décadas e deu enorme prestígio a Khomeini e ao novo regime em grande parte do mundo árabe.

Como é fácil de calcular, a comparação com o Irão, nessa altura, não beneficiou a monarquia saudita, acusada por muitos de ser um mero fantoche dos interesses petrolíferos norte-americanos.

De então para cá, o fulgor do regime iraniano desvaneceu-se, mas a rivalidade entre a Arábia Saudita e o Irão permaneceu, porque a realidade geoestratégica assim o impõe. São dois países grandes em território, população e recursos petrolíferos, mas que estão divididos pela religião e pelo tipo de regime político que têm.

São rivais naturais na luta pela liderança do mundo islâmico e isso dificilmente mudará.

 

Sunitas e xiitas: uma divisão com 1200 anos

A rivalidade entre a Arábia Saudita sunita e o Irão xiita reflecte uma outra, que dura há quase tanto tempo como a religião muçulmana.

Ao contrário do que aconteceu com o Cristianismo, que se foi fracturando por questões doutrinárias, o Islamismo teve o seu principal factor de divergência na questão da sucessão do profeta Maomé, o fundador da religião.

Após a morte deste, em 632, os seus seguidores dividiram-se em dois campos: os sunitas, defendiam que o legítimo sucessor à frente da comunidade deveria ser Abu Bakr, o sogro de Maomé; os xiitas, propunham a primazia de Ali, primo e genro do profeta.

Abu Bakr prevaleceu e tornou-se no primeiro califa (chefe supremo) dos muçulmanos, mas essa decisão não foi aceite pelos seguidores de Ali. Este acabou por ascender ao califado em 657, mas por pouco tempo. Ali acabou por ser assassinado e o seu filho, Hussein, que tentou restabelecer a linha xiita no califado, foi morto na batalha de Karbala, em 680.

Os sunitas saíram vencedores e o seu antagonismo com os xiitas revelou-se insuperável até hoje.

 

Este artigo foi publicado com pequenas alterações no número de Março da revista “Família Cristã”.

Anuário do CEID

Tive recentemente a oportunidade de escrever um artigo sobre a situação portuguesa e europeia para o anuário do Centro de Estudios Internacionales para el Desarrollo (www.ceid.edu.ar), de Buenos Aires, na Argentina. Creio que a publicação está muito interessante e diversificada, pelo que partilho aqui o CEID ANUARIO 2014-2015.

E já agora: muito obrigado a Marcelo Javier de los Reyes, presidente do CEID, pelo convite!

The West and the rest

Niall Ferguson é um historiador muito polémico. Há quem ame, há quem odeie, mas certamente ninguém o pode acusar de ser aborrecido.

Bom exemplo disso mesmo é esta entrevista ao “Expresso”, em que decreta a morte do Ocidente.

A ler. Especialmente se discordar.

Cuba e os EUA

Há poucos dias, tive a oportunidade de entrevistar o dissidente cubano Gullermo Fariñas, aquando da sua passagem por Lisboa.

Fariñas tem uma visão muito crítica do reatamento das relações entre Cuba e os Estados Unidos, mas mesmo assim acredita que a democratização do seu país acontecerá num curto espaço de tempo.

Aqui fica a reportagem que resultou dessa entrevista.

Estado Islâmico atingiu navio da marinha egípcia com um míssil

Os ataques do Estado Islâmico no Sinai são cada vez mais ousados. Na quinta-feira, um navio patrulha da marinha egípcia foi atingido por um míssil quando estava a quase dois quilómetros da costa mediterrânica daquela península.

A filial do Estado Islâmico na região reivindicou o ataque através da rede social Twitter e publicou algumas fotos da ação. Nelas, é possível ver o míssil em voo, pouco antes de atingir o navio, bem como aquela que parece ser a explosão inicial, após o impacto.

Fontes dos serviços de segurança indicam que vários tripulantes ficaram feridos devido ao fogo que tomou o navio, enquanto outros foram forçados a lançar-se ao mar. A embarcação ficou a arder durante várias horas, até ser rebocada do local.

Segundo testemunhas, ainda houve uma troca de tiros   após o ataque, mas os membros do Estado Islâmico que dispararam o míssil conseguiram escapar.

Esta foi a primeira ação deste tipo levada a cabo pela Wilayat Sinai (Província do Sinai do Estado Islâmico), o que denota que o grupo não só tem acesso a armas cada vez mais poderosas e sofisticadas, como tem o treino necessário para as usar com eficácia.

Isso já tinha sido notório no início do mês, quando os extremistas lançaram um grande ataque coordenado contra várias instalações policiais e militares no Sinai, e que só a muito custo foi derrotado pelas forças egípcias, que sofreram dezenas de mortes.

http://www.tvi24.iol.pt/internacional/egito/estado-islamico-atacou-navio-da-marinha-egipcia-com-missil?

Nova lei no Japão permite que forças armadas combatam no estrangeiro

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No Japão, as forças armadas chamam-se forças de autodefesa e a designação nada tem de casual. De acordo com o artigo 9.º da sua Constituição, que foi imposta pelos Estados Unidos após a 2ª Guerra Mundial, o país renuncia ao direito de fazer a guerra e de manter forças armadas.

Mais tarde, esta interdição foi parcialmente contornada e hoje o Japão dispõe de um poderio militar muito considerável. Todavia, as suas forças de autodefesa continuam proibidas de participar em qualquer missão que vá além da proteção do país de uma agressão externa.

Essa situação, tudo indica, vai mudar em muito em breve. Por proposta do governo, o Parlamento aprovou na quarta-feira leis que permitem às forças de autodefesa colaborar na proteção de nações aliadas que sejam atacadas – os EUA, por exemplo.

Isto significa na prática que, pela primeira vez desde o fim da 2ª Guerra Mundial, militares japoneses poderão combater fora do seu território.

Essa perspetiva é extremamente perturbadora para milhões de japoneses, que recordam as enormes tragédias causadas pelos seus governos militaristas antes e durante a 2ª Guerra Mundial. As agressões japonesas na Ásia causaram dezenas de milhões de mortes e levaram à derrota do país nesse conflito, que terminou com os bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki.

Por isso, milhares de manifestantes concentraram-se junto ao Parlamento na quarta e na quinta-feira, entoando palavras de ordem contra a guerra, as novas leis, o primeiro-ministro e o governo. Os organizadores do protesto garantem que este contou com a participação de 100 mil pessoas, mas nem uma adesão desse nível parece suficiente para travar a vontade do primeiro-ministro, Shinzo Abe.

Por causa desta e de outras medidas, a sua popularidade nas sondagens já está abaixo dos 40%, mas o chefe do governo mantém-se fiel ao seu plano inicial. Após o voto parlamentar, Abe disse que “a situação de segurança em torno do Japão está a ficar mais complicada. Estas leis são vitais para proteger as vidas dos japoneses e para evitar a guerra”.

A nova legislação vai subir agora à câmara alta do Parlamento, mas não restam muitas dúvidas de que acabará por ser aprovada, mesmo que a oposição clame que ela viola o artigo 9.º da Constituição. O contexto internacional também contribuirá para tal, uma vez que há cada vez mais preocupações relativamente às intenções da Coreia do Norte e ao aumento da capacidade militar da China.

Os Estados Unidos estão a procurar cada vez mais apoio na Ásia para tentar conter as tendências expansionistas chinesas, que já são visíveis em vários conflitos fronteiriços no Mar do Sul da China. A mudança da lei japonesa insere-se nessa transformação geoestratégica e, por isso, é muito bem vista em Washington.

http://www.tvi24.iol.pt/internacional/parlamento/nova-lei-no-japao-permite-que-forcas-armadas-combatam-no-estrangeiro