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Mísseis para os submarinos portugueses

Harpoon lançado por submarino

Harpoon lançado por submarino

Os submarinos da Marinha Portuguesa vão passar a ter mísseis Harpoon no final deste ano.

A notícia é dada pela Jane’s, que refere que sete RGM-84 Block 1 estão a ser modernizados para Block 2 na Holanda, tendo um outro já sido convertido no final de 2003. Isto quer dizer que a Marinha decidiu transformar alguns dos mísseis que tinha adquirido para as fragatas, em vez de comprar novos.

Os polémicos submarinos U209 PN, construídos pelos estaleiros alemães ThyssenKrupp, já estavam dotados de origem com a capacidade de disparar mísseis a partir dos tubos lança-torpedos, mas essas armas nunca tinham sido disponibilizadas. Agora, cinco anos depois da entrega do NRP Tridente, essa carência vai ser resolvida.

Pela primeira vez, a Marinha vai ter a capacidade de atacar alvos em terra a partir de uma plataforma submersa. Os Harpoon têm um alcance superior a 120 quilómetros.

Poder submarino

Aqui, em Portugal, os submarinos são quase sempre motivo de chacota e/ou protestos mais ou menos indignados devido ao seu elevado custo e aos negócios pouco claros que envolveram as aquisições mais recentes.

Para muitos comentadores, os submarinos são um luxo desnecessário, e mais valia que o país nunca os tivesse comprado ou que vendesse os que tem.

No entanto, qualquer estado com um espaço marítimo significativo a seu cargo, como é o nosso, não pode deixar de ter submarinos. Quase nenhum país nessas circunstâncias os dispensa (e são mais de 40), e Portugal já os tem há quase 100 anos.

Sim, 100 anos.

Com crises e sem elas, com as contas mais folgadas ou à beira da bancarrota, dezenas de governos consideraram sempre que Portugal precisava de submarinos. Porque será?

Uma das respostas pode ser documentada com a foto seguinte.

O antigo navio da marinha norte-americana Kilauea afunda-se depois de ter sido atingido por um torpedo disparado pelo submarino australiano Farncomb.
Foto: Australian Defence

Isto é o que um submarino pode fazer. Com um único torpedo.

Os U209 PN da Marinha Portuguesa podem transportar doze.

Para uma visão ainda mais esclarecedora, temos este exemplo.

É para isto que servem as armas de guerra: destruição em grande escala. Se as coisas correrem como quase toda a gente deseja, essa destruição não passa dos exercícios com velhos navios vazios. Todavia, a ameaça permanece. E onde há ameaça há dissuasão.

Como arma dissuasora, não há muitas que sejam mais convincentes do que um submarino. E mais baratas, quando se trata de um modelo com propulsão a diesel e eléctrica.

Quando submerso, ele é invisível e de detecção muito difícil, especialmente se tiver AIP. O seu poder de destruição é enorme, especialmente quando é dotado de torpedos modernos, como o Mk 48 e o Blackshark, e de mísseis de superfície, como o Harpoon.

Não foi por mera simpatia que a Marinha dos EUA convidou a Armada a enviar um dos novos submarinos portugueses ao exercício naval realizado a propósito do bicentenário da Guerra de 1812, entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. Na realidade, os norte-americanos queriam conhecer de perto aquele que é considerado por muitos especialistas o melhor submarino não-nuclear do mundo, o U209 PN (que, na realidade, é um U214).

É que exercícios anteriores já lhes demonstraram repetidamente que um único submarino convencional bem tripulado pode pôr no fundo um porta-aviões, a arma suprema (por enquanto) do poder naval norte-americano.

Nos últimos anos tem-se falado muito da importância que o mar tem para Portugal. De repente, descobriu-se que temos uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) enorme, e que poderá ser ainda maior com a extensão da plataforma continental. Fala-se muito das grandes riquezas que poderemos tirar desse mar e do fundo oceânico, mas do que quase ninguém fala é da necessidade de os proteger e vigiar. Para isso, são necessários aviões, navios de superfície e submarinos.

Sem esses meios, toda a conversa de virar Portugal para o mar e criar uma nova economia com base em recursos marinhos não passa disso mesmo – conversa.