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Poder submarino

Aqui, em Portugal, os submarinos são quase sempre motivo de chacota e/ou protestos mais ou menos indignados devido ao seu elevado custo e aos negócios pouco claros que envolveram as aquisições mais recentes.

Para muitos comentadores, os submarinos são um luxo desnecessário, e mais valia que o país nunca os tivesse comprado ou que vendesse os que tem.

No entanto, qualquer estado com um espaço marítimo significativo a seu cargo, como é o nosso, não pode deixar de ter submarinos. Quase nenhum país nessas circunstâncias os dispensa (e são mais de 40), e Portugal já os tem há quase 100 anos.

Sim, 100 anos.

Com crises e sem elas, com as contas mais folgadas ou à beira da bancarrota, dezenas de governos consideraram sempre que Portugal precisava de submarinos. Porque será?

Uma das respostas pode ser documentada com a foto seguinte.

O antigo navio da marinha norte-americana Kilauea afunda-se depois de ter sido atingido por um torpedo disparado pelo submarino australiano Farncomb.
Foto: Australian Defence

Isto é o que um submarino pode fazer. Com um único torpedo.

Os U209 PN da Marinha Portuguesa podem transportar doze.

Para uma visão ainda mais esclarecedora, temos este exemplo.

É para isto que servem as armas de guerra: destruição em grande escala. Se as coisas correrem como quase toda a gente deseja, essa destruição não passa dos exercícios com velhos navios vazios. Todavia, a ameaça permanece. E onde há ameaça há dissuasão.

Como arma dissuasora, não há muitas que sejam mais convincentes do que um submarino. E mais baratas, quando se trata de um modelo com propulsão a diesel e eléctrica.

Quando submerso, ele é invisível e de detecção muito difícil, especialmente se tiver AIP. O seu poder de destruição é enorme, especialmente quando é dotado de torpedos modernos, como o Mk 48 e o Blackshark, e de mísseis de superfície, como o Harpoon.

Não foi por mera simpatia que a Marinha dos EUA convidou a Armada a enviar um dos novos submarinos portugueses ao exercício naval realizado a propósito do bicentenário da Guerra de 1812, entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. Na realidade, os norte-americanos queriam conhecer de perto aquele que é considerado por muitos especialistas o melhor submarino não-nuclear do mundo, o U209 PN (que, na realidade, é um U214).

É que exercícios anteriores já lhes demonstraram repetidamente que um único submarino convencional bem tripulado pode pôr no fundo um porta-aviões, a arma suprema (por enquanto) do poder naval norte-americano.

Nos últimos anos tem-se falado muito da importância que o mar tem para Portugal. De repente, descobriu-se que temos uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) enorme, e que poderá ser ainda maior com a extensão da plataforma continental. Fala-se muito das grandes riquezas que poderemos tirar desse mar e do fundo oceânico, mas do que quase ninguém fala é da necessidade de os proteger e vigiar. Para isso, são necessários aviões, navios de superfície e submarinos.

Sem esses meios, toda a conversa de virar Portugal para o mar e criar uma nova economia com base em recursos marinhos não passa disso mesmo – conversa.

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