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Lá vamos nós outra vez…

À medida que uma ofensiva ocidental na Síria se aproxima cada vez mais, as questões chatas do costume surgem com frequência redobrada.
Qual é o objectivo do ataque?
Quando e como deve terminar?
Que objectivos estratégicos serve ele?
Como o “Information Dissemination” explica, os EUA e o os seus aliados parecem, mais uma vez, estar a substituir uma reflexão estratégica ponderada pelo voluntarismo cego do “atacamos porque podemos”.
O uso de armas químicas é um crime repugnante, mas atacar a Síria sem estabelecer objectivos estratégicos claros e sem o apoio da opinião pública pode revelar-se uma grande asneira, e de consequências imprevisíveis.

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E tudo o “fracking” mudou

As imagens da NASA publicadas aqui pela Quartz são a prova luminosa de uma transformação enorme que está a ocorrer na economia mundial: os Estados Unidos da América vão tornar-se muito em breve autosuficientes em termos energéticos.
Isto acontece graças ao fracking, uma técnica de extracção altamente polémica, dadas as suas potenciais consequências negativas para o ambiente, mas que permite retirar crude e gás de onde antes se pensava ser impossível. É por isso que, já em 2017, se espera que os EUA se tornem no maior produtor mundial de petróleo, ultrapassando mesmo a Arábia Saudita, um cenário que seria considerado absolutamente impossível há bem poucos anos.
Como é fácil de calcular, as consequências geoestratégicas desta mudança podem ser enormes. Um relatório recente dos serviços secretos alemães (BND) diz mesmo que os EUA vão ser os grandes vencedores da corrida global às fontes energéticas. Por causa dessa nova disponibilidade, antecipa-se já um renascimento da indústria no país, dado que passará a ter energia a custos competitivos. O relatório alemão também antecipa outra possibilidade – a de os Estados Unidos se distanciarem em relação em relação ao Médio Oriente, uma vez que já não estarão dependentes do petróleo que é ali produzido. Aí, creio que Joseph Fitsanakis, no seu comentário à notícia, tem razão: não é pelo facto de os norte-americanos necessitarem menos do petróleo do Médio Oriente que vão deixar de procurar manter a sua influência na região. Até ver, petróleo é poder, e a superpotência dominante não pode dar-se ao luxo de abdicar dele.