Category Archives: Armas nucleares

Como é estar perto (muito perto, mesmo) de uma bomba atómica

O blogue de Alex Wallerstein, Restricted Data, é fantástico e fascinante – por vezes, horrivelmente fascinante.

Quem quiser saber um pouco mais (ou mesmo muito mais) sobre a história das armas nucleares, tem de passar por lá. A sua última “prenda” é um bom exemplo do que estou a dizer: o filme não editado da preparação e transporte da Fat Man, a bomba atómica que foi lançada sobre Nagasaki.

Alex tem toda a razão. Ver estas imagens sem qualquer som (foi assim que elas foram filmadas) dá-lhes um impacto muito maior. Creio mesmo que, exceptuando um contacto pessoal com uma arma atómica, não haverá maneiras muito melhores de ter uma ideia do que é estar perto de uma do que ver este vídeo.

Aqui fica.

Amigos de Freud

Este artigo mostra como Sigmund Freud e o movimento psicanalítico não estão tão distantes do esforço soviético para obter a bomba atómica como se poderia pensar à primeira vista.

OK, a ligação é ténue, mas a história é fascinante – embora trabalhosa de seguir.

Se para mais não der, pelo menos mostra-nos como a história da Europa Central e de Leste se tornou extraordinariamente complicada no período entre guerras e na meia dúzia de anos após a 2.ª Guerra Mundial, alturas em que países e impérios se fizeram e desfizeram com rapidez estonteante, deixando milhões de pessoas sem país e/ou nacionalidade.

Quem se lembra dos passaportes Nansen?

Passaporte Nansen
Fonte: Wikimedia

Digno do “Dr. Estranhoamor” II

Nem inventando se arranjam histórias assim.

O excelente Crypto-Gram de Bruce Schneier dá-nos dois exemplos assustadores de como funcionava (ou ainda funciona, num dos casos) a activação das armas nucleares soviéticas/russas e britânicas.

Os russos, fazendo jus ao estereótipo, primam pela simplicidade e robustez dos seus métodos. Se o cofre onde estão guardados os códigos de lançamento dos mísseis nucleares não abre, então há que ter uma marreta mesmo ali ao lado, não vá a fatídica ordem chegar.

Bomba nuclear britânica
Foto: Marshall Astor

Os britânicos, por seu lado, também se mostraram fiéis ao estereótipo: cavalheiros, especialmente os da Royal Navy, nunca lançariam uma bomba atómica sem uma ordem superior adequada. Pensar o contrário seria “odioso” e, por isso, durante décadas, as armas atómicas da Grã-Bretanha podiam ser activadas sem recurso a qualquer código de segurança (vídeo a não perder).

No caso das bombas de gravidade da  Royal Air Force (RAF), havia ainda um requinte adicional: o passo final incluía a colocação de um cadeado de bicicleta (aloquete para os nortenhos).

Sem código.

Porque cavalheiros não matam milhões de pessoas sem autorização superior.

P.S. Nem de propósito: hoje é o 67.º aniversário do primeiro teste de uma bomba nuclear. Designado como Trinity, aconteceu em Alamogordo, no estado norte-americano do Novo México, em 16 de Julho de 1945.

Assim surgiu o “brinquedo mortífero de Oppenheimer”.

 

Digno do “Dr. Estranhoamor”

Foto: Omer Wazir

O que Jeffrey Lewis e os seus colaboradores no Arms Control Wonk fazem quase todos os dias é o exemplo perfeito de como se pode escrever sobre assuntos tecnicamente complexos e aparentemente áridos de forma interessante e – imagine-se! – divertida.

Um dos últimos posts de Lewis parece ter sido baseado no argumento do “Dr. Estranhoamor” ou de qualquer outro filme do género, mas, como sabemos, a realidade está sempre a ultrapassar a ficção pela direita, sem dó nem pidedade.

O tema do post é os 30 (trinta) tipos de base de lançamento de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) que os Estados Unidos consideraram nos anos 80. Deixem-me só dizer que gosto especialmente das ideias de colocar os monstrinhos a flutuar no oceano, ou em piscinas.