Uma surpresa em Viana, outra surpresa para a Armada

NRP Viana do Castelo, o primeiro NPO

NRP Viana do Castelo, o primeiro NPO

A confirmar-se, é uma grande surpresa: o presidente da Westsea (ex-Estaleiros Navais de Viana de Castelo) declara numa entrevista ao “Jornal de Negócios” que a sua empresa vai iniciar em Março de 2015 a construção de dois navios patrulha para a Armada.

Como não sou assinante do “Jornal de Negócios”, vou ter de esperar até mais logo para ler a entrevista na íntegra, mas não quis deixar de partilhar a notícia aqui e juntar-lhe uma ou duas ideias.

Em Julho, o chefe de Estado-Maior da Armada (CEMA) tinha-se mostrado confiante de que o programa dos navios de patrulha oceânica (NPO) poderia ser reiniciado em breve, mas não se comprometeu com prazos. Para quem tem seguido as peripécias deste longuíssimo processo, que culminou com o cancelamento pelo Governo, há dois anos, do contrato de construção dos NPO e das lanchas de fiscalização costeira (LFC), uma tal declaração não poderia passar de uma manifestação de vontade, e nada mais do que isso. O estado das contas do país ditava que o programa dos NPO continuasse morto, ou pelo menos em hibernação profunda.

Mas, afinal, parece que não. O CEMA já devia saber que algo ia acontecer, mas jogou pela prudência. Agora, no espaço de poucos dias, a Marinha anuncia a compra de quatro navios patrulha à Dinamarca e a Westsea diz que dois NPO vão começar a ser construídos daqui a seis meses.

O que mudou?

Não pondo de lado outras explicações, porventura até mais importantes, há um factor meramente económico que salta à vista. Com as corvetas e os patrulhas da Marinha num estado de obsolescência tal que qualquer reparação representa logo uma despesa de muitos milhões de euros, comprar e/ou construir navios sai mais barato, mesmo a curto prazo. E isto já sem contar com os custos de operação, que são também muito menores em navios mais recentes.

Portanto, se todas estas notícias se confirmarem – e nestas coisas há sempre que ter cautela -, o estado da Armada vai melhorar muito nos próximos dois ou três anos. Estará longe do que devia ser, mas será incomparavelmente melhor do que é agora e do que se antevia para o futuro próximo.

Quem diria!

3 responses

  1. Estratega Amador | Responder

    Ver para crer. Não seria a primeira vez que anunciam ir “tirar a Marinha do Fundo” e depois não passam das intenções. Mas a ir para diante – e se não for para vender os Navios – parece haver uma alteração da estratégia anterior: desiste-se ou adia-se a construção/aquisição dos meios de envio de forças – o tal navio porta-helicopteros doca flutuante com capacidade para 1 batalhão de fuzos – para uma Marinha mais “dentro de portas” – patrulha da ZEE e…? Pode ser que não haja de momento, meios financeiros para outra coisa que não seja isto. Mas alguém já pensou por exemplo, que as 5 fragatas têm mais ou menos a mesma idade o que significa que com pouca diferença de anos, todas terão de ser substituídas quase ao mesmo tempo?

  2. Estratega Amador | Responder

    E sobre a aquisição do Siroco?

    1. É um post que está planeado, mas não há maneira de sair…

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