Morte por controlo remoto

O Michael Yon divulgou há dias uma inovação tecnológica digna de registo: uma espingarda de precisão dotada de wifi, o que, em teoria, permite que seja controlada a longas distâncias. Como o Michael diz, pode estar perto o dia em que o gatilho já não é premido pelo homem que segura a arma, mas pelo general (ou até o Presidente) que controla a operação, muito embora não me pareça que isso seja o mais provável.

Equipamentos como este vêm reforçar a tendência dos últimos anos para a remotização  e despersonalização da guerra e do acto de matar, o que tem a consequência perniciosa de desresponsabilizar quem executa esses actos e toma essas decisões.

Como diz o ditado, “Longe da vista, longe do coração”. Matar torna-se francamente mais fácil quando é feito à distância, quando não se tem de olhar para o que fica depois de se premir o gatilho ou largar a bomba. Além disso, como o atacado não pode atingir directamente e imediatamente o atacante, este tende a sentir-se invulnerável e a tomar riscos e decisões que, de outro modo, não tomaria.

A proliferação das aeronaves não tripuladas (UAV), cujos pilotos estão muitas vezes do outro lado do mundo, e de armas como a TrackingPoint realiza o sonho envergonhado das democracias ocidentais que já não têm estômago para a guerra, mas ainda não conseguem viver sem ela.

O risco para quem ataca é mínimo, as consciências mais sensíveis são poupadas e o trabalho sujo continua a ser feito.

 

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