Guerra civil na Síria II

As forças fiéis ao governo sírio não estão a conseguir desalojar os rebeldes de Damasco. Como disse aqui, se o não conseguiram fazer até agora, o regime tem os seus dias contados, mesmo que os rebeldes assumam que ainda não são suficientemente fortes para derrubar Bashar Al-Assad. O ditador pode agarrar-se ao poder, mas, sem uma capital pacificada, esse poder dilui-se de dia para dia.

Tal como aconteceu noutras situações, as forças pró-governamentais estão a usar helicópteros e outros meios pesados para tentar esmagar a oposição, mas é duvidoso que isso seja verdadeiramente eficaz do ponto de vista militar num combate urbano. Já do ponto de vista psicológico e propagandístico, a utilização dessas armas é um inegável fracasso para o regime: as matanças indiscriminadas que têm resultado dessas operações empurraram a população que poderia estar indecisa ou neutra para os braços da rebelião, já para não falar do impacto externo que tiveram.

É fora da Síria, aliás, que se pode decidir se a saída de Al-Assad vai ser apressada ou não. Se a Rússia for convencida a deixar cair o seu velho aliado, e a perder a sua base naval no Mediterrâneo, em Tartus (e a Rússia valoriza muito os seus portos em águas quentes), então Bashar Al-Assad poderá perceber que chegou a hora de seguir o exemplo de Ben Ali, e não o de Muamar Khadafi.

Não é o mais provável, mas pode acontecer.

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