A propósito do cancelamento da encomenda dos NH90

O post que publiquei no sábado passado sobre a decisão do Governo de cancelar a compra dos helicópteros NH90 deu origem a um comentário de um amigo, via Facebook, que merece uma resposta mais alargada.

Afirma o estimado comentador que “Portugal não precisa de brincar às guerras”, o que me leva a concluir que o ele não só está de acordo com este cancelamento, como com qualquer outro que venha a ocorrer relativo a uma compra avultada de material militar.

Este tipo de afirmações sobre tudo o que tenha a ver com o equipamento das Forças Armadas portuguesas é bastante frequente e reflecte a grande dificuldade que o país tem em definir o que quer que elas sejam, e o que fazem.

Segundo o último estudo de opinião sobre a matéria, os portugueses confiam nas Forças Armadas mais do que em qualquer outra instituição, confiam um pouco menos nos militares, e quanto a dinheiro para as sustentar, confessam-se bastante ignorantes sobre as suas necessidades, mas pouco dispostos a abrir os cordões à bolsa.

Nada de surpreendente, especialmente em altura de crise económica. O que já não é tão compreensível é a incapacidade dos políticos para definirem conceitos estratégicos que vão além dos lugares-comuns e planos de reequipamento realistas, que não sejam alvos de cortes e cativações constantes, o que leva a que nunca sejam cumpridos na íntegra.

Pode e deve discutir-se o mérito da aquisição dos NH90 para o Exército, assim como o de qualquer outro equipamento militar; aliás, um dos problemas em Portugal é que, tirando os especialistas e os curiosos, ninguém chega a debater estas questões, e o comum dos cidadãos nunca chega a perceber para que é que os helicópteros, os submarinos e todos esses equipamentos caríssimos servem.

Agora, não restem dúvidas: ter umas forças armadas minimamente capazes sai caro, mas muito mais caro é mantê-las num estado de semi-obsolescência. Aí, todo o gasto é desperdício.

Os portugueses não parecem estar dispostos a prescindir das suas forças armadas – pelo menos é o que dizem. Cabe aos seus representantes eleitos definirem, de uma vez por todas, aquilo que elas realisticamente podem fazer e os meios para tal, sendo certo que não se poderão utilizar por muito mais tempo aeronaves e armas com quase 50 anos.

Esperemos que a revisão do Conceito Estratégico de Defesa Nacional, anunciada há pouco tempo, seja um passo nessa direcção.

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